SMAS A base estrutural do facelift moderno
# SMAS
## A base estrutural do facelift moderno
**Por Ronaldo Webster, MD, MSc, PhD**
Durante muito tempo, o facelift foi associado principalmente à retirada do excesso de pele e à sua tração.
A evolução do conhecimento anatômico modificou profundamente esse conceito.
Hoje sabemos que o envelhecimento facial não acontece apenas na superfície. Pele, gordura, ligamentos e estruturas profundas sofrem alterações ao longo do tempo.
Entre essas estruturas existe uma particularmente importante para a cirurgia facial:
**o SMAS — Sistema Músculo-Aponeurótico Superficial.**
Compreender e tratar adequadamente o SMAS representou uma das grandes mudanças na história do facelift moderno.
## O que é o SMAS?
O SMAS é uma camada fibromuscular localizada abaixo da gordura subcutânea da face.
Mais do que simplesmente uma estrutura anatômica isolada, ele faz parte de um sistema de continuidade entre diferentes regiões da face e do pescoço.
Para o cirurgião, isso possui uma consequência prática importante.
Quando os tecidos faciais descem com o envelhecimento, podemos trabalhar não apenas sobre a pele, mas também sobre uma camada estrutural mais profunda.
Isso mudou completamente a filosofia do facelift.
## Por que não simplesmente tracionar a pele?
A pele possui características extraordinárias, mas não foi concebida para funcionar como principal estrutura de sustentação de um lifting.
Quando dependemos excessivamente de sua tração, podemos criar tensão desnecessária.
O tratamento do SMAS permite transferir parte importante da sustentação para planos mais profundos.
Depois disso, a pele pode ser reposicionada e acomodada com menor dependência de tensão.
O objetivo é simples:
**utilizar cada tecido para a função que ele pode desempenhar melhor.**
## Existe mais de uma maneira de tratar o SMAS
Esse ponto é fundamental.
Falar em “facelift com SMAS” não descreve uma única operação.
Existem diferentes estratégias.
Podemos realizar uma **plicatura**, dobrando e fixando o SMAS para produzir reposicionamento.
Podemos realizar uma **imbricação**, mobilizando e sobrepondo segmentos do tecido.
Em determinadas técnicas, uma faixa do SMAS pode ser removida — procedimento conhecido como **SMASectomy** — seguida de aproximação e suspensão.
Também podemos realizar dissecções mais extensas, mobilizando o SMAS de outras maneiras.
Cada estratégia possui características, vantagens e limitações.
## Plicatura do SMAS
Na plicatura, o SMAS é reposicionado por meio de suturas sem necessidade de uma extensa dissecção sob essa camada.
Isso pode ser particularmente interessante em determinados pacientes nos quais desejamos obter sustentação estrutural mantendo uma abordagem relativamente limitada.
Mas, como qualquer técnica, possui indicações e limitações.
A quantidade de mobilização necessária e a anatomia individual ajudam a determinar se ela será suficiente.
## SMASectomy
Na SMASectomy, retiramos uma faixa selecionada do SMAS e aproximamos suas bordas de maneira planejada.
Isso pode permitir reposicionamento e ajuste dos tecidos sem exigir necessariamente uma ampla dissecção profunda.
Novamente, não se trata de afirmar que uma técnica seja superior à outra.
Trata-se de possuir diferentes ferramentas.
## E onde entra o Deep Plane?
O Deep Plane representa outra estratégia dentro desse universo.
Em vez de trabalhar apenas sobre o SMAS, determinadas regiões são abordadas em planos mais profundos, permitindo maior mobilização de certos tecidos e liberação de pontos de fixação.
Em alguns pacientes, isso pode ser extremamente útil.
Em outros, entretanto, podemos obter a correção necessária através de técnicas de SMAS sem precisar ampliar a dissecção.
Por isso, não considero correto pensar em:
**SMAS versus Deep Plane.**
Prefiro pensar em:
**qual nível de mobilização este paciente necessita?**
## Vetor importa tanto quanto profundidade
Não basta decidir qual estrutura será tratada.
Precisamos decidir **em qual direção ela será reposicionada**.
O envelhecimento facial não acontece simplesmente de maneira horizontal.
Por isso, os vetores utilizados durante a suspensão possuem enorme importância.
Dependendo da anatomia e da região tratada, podemos utilizar componentes verticais, superiores ou superolaterais.
Essa compreensão dos vetores também está por trás de técnicas como o **MACS Lift**, que utiliza estratégias específicas de suspensão vertical.
## O SMAS e a naturalidade
Um facelift natural não deveria produzir simplesmente uma face mais esticada.
O objetivo é reposicionar tecidos que sofreram alterações com o envelhecimento preservando, tanto quanto possível, expressão e identidade.
Trabalhar estruturalmente permite diminuir a dependência da tração cutânea como mecanismo principal de rejuvenescimento.
Mas novamente existe um princípio importante:
**tratar o SMAS não significa necessariamente tratar todo o SMAS.**
A extensão deve acompanhar aquilo que precisamos corrigir.
## Uma ferramenta extremamente versátil
Uma das razões pelas quais o SMAS permanece tão importante na cirurgia facial é justamente sua versatilidade.
Podemos utilizá-lo em operações relativamente limitadas.
Podemos associá-lo a facelifts mais extensos.
Podemos utilizar diferentes vetores.
E podemos combiná-lo com outras estratégias de rejuvenescimento.
Isso permite construir uma cirurgia adaptada à anatomia do paciente, em vez de obrigar diferentes pacientes a receberem a mesma operação.
## Estrutura não é tudo
Existe ainda outra questão importante.
Mesmo um excelente reposicionamento estrutural não corrige todos os componentes do envelhecimento.
Um paciente pode apresentar perda de volume.
Pode apresentar alterações da superfície e qualidade da pele.
Pode apresentar simultaneamente flacidez, perda volumétrica e dano cutâneo.
Por isso, o tratamento contemporâneo da face pode envolver diferentes níveis:
**estrutura, volume e pele.**
O SMAS atua principalmente no primeiro deles.
Nos próximos artigos, veremos como técnicas como microfat grafting, nanofat, laser fracionado e radiofrequência microagulhada podem atuar sobre outros componentes do envelhecimento.
## Minha maneira de pensar o SMAS
O SMAS continua sendo uma das ferramentas mais importantes da cirurgia facial moderna.
Mas não existe uma única maneira de utilizá-lo.
Plicatura, imbricação, SMASectomy, suspensões e técnicas mais profundas fazem parte de um conjunto de possibilidades.
A escolha depende da anatomia e da quantidade de mobilização necessária.
Por isso, minha pergunta continua sendo a mesma:
**o que este rosto realmente precisa?**
Se uma técnica de SMAS consegue proporcionar a correção necessária, não existe obrigação de ampliar a operação simplesmente porque uma técnica mais profunda está disponível.
Da mesma forma, quando precisamos de maior mobilização, devemos reconhecer essa necessidade e escolher uma abordagem adequada.
Porque dominar cirurgia facial não significa dominar apenas uma técnica.
Significa possuir diferentes ferramentas e saber **qual delas utilizar — e até onde utilizá-la — em cada paciente.**
**Ronaldo Webster, MD, MSc, PhD**
Cirurgião Plástico
Porto Alegre — RS
