Rejuvenescimento Facial Integrado Estrutura, volume e pele: como escolho o tratamento de cada face

Rejuvenescimento Facial Integrado
Estrutura, volume e pele: como escolho o tratamento de cada face
Por Ronaldo Webster, MD, MSc, PhD
Depois de discutir diferentes técnicas ao longo desta série, talvez seja natural surgir uma pergunta:
afinal, qual é a melhor técnica de rejuvenescimento facial?
Deep Plane?
Deep Neck?
SMAS?
MACS Lift?
U-Lift?
Microfat?
Nanofat?
Laser?
Radiofrequência microagulhada?
Minha resposta é:
nenhuma delas, isoladamente.
Porque antes de escolher uma técnica precisamos compreender algo mais importante:
o que realmente envelheceu naquela face?
Essa pergunta resume grande parte da maneira como penso atualmente a cirurgia facial.
Não existe um único envelhecimento facial
Durante muito tempo, envelhecimento foi praticamente sinônimo de flacidez.
Hoje sabemos que o processo é muito mais complexo.
Os tecidos podem mudar de posição.
Compartimentos de gordura podem perder ou redistribuir volume.
Ligamentos e estruturas de sustentação podem se modificar.
O pescoço pode apresentar alterações superficiais ou profundas.
E a própria pele sofre transformações relacionadas ao tempo, genética, exposição solar e fatores ambientais.
Por isso, duas pessoas da mesma idade podem precisar de tratamentos completamente diferentes.
Não tratamos uma idade.
Tratamos uma anatomia.
Três perguntas organizam meu planejamento
Ao avaliar uma face, gosto de separar o problema em três grandes dimensões:
ESTRUTURA
VOLUME
PELE
Essa divisão é simples, mas ajuda a evitar um erro frequente: tentar utilizar uma única ferramenta para resolver problemas biologicamente diferentes.
1. Estrutura: o que mudou de posição?
Primeiro observo os tecidos.
Existe flacidez?
Perda da definição mandibular?
Alteração do terço médio?
Excesso cervical?
O problema está na pele, no SMAS, nos ligamentos ou em estruturas mais profundas?
É aqui que entram as diferentes técnicas de facelift.
Podemos utilizar plicaturas, imbricação ou SMASectomy.
Podemos empregar suspensões como o MACS Lift.
Em pacientes selecionados, uma abordagem limitada como o U-Lift pode ser suficiente.
Quando precisamos de maior mobilização, podemos utilizar estratégias de Deep Plane.
E quando o pescoço possui componentes profundos responsáveis pelo contorno, podemos considerar procedimentos de Deep Neck.
Essas técnicas não precisam competir entre si.
São ferramentas diferentes para anatomias diferentes.
2. Volume: o que realmente foi perdido?
Depois observo volume.
Existe perda temporal?
Alterações periorbitárias?
Perda de projeção em regiões específicas?
Ou aquela face já possui volume suficiente?
Quando existe uma deficiência volumétrica verdadeira, podemos considerar estratégias como o microfat grafting, utilizando pequenas quantidades de gordura do próprio paciente.
Mas existe uma diferença fundamental entre restaurar e preencher.
Meu objetivo não é aumentar indiscriminadamente o volume da face.
É reconhecer onde houve perda e, quando indicado, restaurar determinadas proporções.
Porque volume excessivo também pode modificar a identidade e tornar a face pesada.
3. Pele: como está a superfície?
Finalmente, observo aquilo que nenhuma cirurgia de reposicionamento consegue resolver completamente:
a qualidade da pele.
Textura.
Linhas finas.
Dano solar.
Irregularidades.
Pigmentação.
Qualidade e espessura cutânea.
Dependendo do problema, podemos considerar diferentes estratégias.
O nanofat tem sido utilizado com objetivos relacionados à qualidade tecidual, embora seus efeitos devam ser discutidos sem promessas exageradas.
O laser de CO₂ fracionado permite tratar determinadas alterações da superfície e promover remodelamento através de zonas microscópicas de tratamento.
A radiofrequência microagulhada permite entregar energia em profundidades selecionadas.
Novamente, são ferramentas diferentes.
Nem sempre precisamos tratar as três dimensões
Esse ponto talvez seja o mais importante.
Falar em rejuvenescimento integrado não significa realizar facelift, gordura, nanofat, laser e radiofrequência em todos os pacientes.
Significa exatamente o contrário.
Integração é diagnóstico, não acumulação de procedimentos.
Um paciente pode precisar apenas de tratamento estrutural.
Outro pode apresentar principalmente perda volumétrica.
Outro pode ter boa estrutura e volume, mas importante envelhecimento cutâneo.
E alguns apresentam alterações nas três dimensões.
Nem tudo precisa ser feito no mesmo momento
Existe também uma diferença entre combinar tratamentos e realizar todos simultaneamente.
Cada intervenção produz uma resposta biológica.
Cirurgia gera trauma e edema.
Enxertos precisam de integração.
Laser produz uma lesão controlada da pele.
Radiofrequência produz energia térmica em profundidades determinadas.
Em determinadas situações, procedimentos podem ser associados.
Em outras, considero mais racional distribuí-los em etapas.
Planejar também significa saber quando esperar.
A tecnologia não substitui o diagnóstico
Vivemos um período extraordinário da cirurgia estética.
Nunca tivemos tantas técnicas, aparelhos e possibilidades.
Mas existe um risco associado a essa abundância.
Podemos começar a tratar o paciente de acordo com aquilo que temos disponível.
Se temos um laser, indicamos laser.
Se dominamos Deep Plane, indicamos Deep Plane.
Se utilizamos determinado injetável, passamos a enxergar indicações para ele.
Esse raciocínio precisa ser invertido.
Primeiro identificamos o problema.
Depois abrimos nossa caixa de ferramentas.
A técnica favorita do cirurgião não deveria determinar a cirurgia do paciente
Esse é um princípio que considero particularmente importante.
Um cirurgião que conhece apenas uma técnica tende naturalmente a enxergar os pacientes através daquela técnica.
Quanto maior nosso repertório, maior deveria ser nossa capacidade de individualização.
Ao longo da minha trajetória em cirurgia facial, utilizei diferentes abordagens.
Estudei técnicas de SMAS.
Fui à Bélgica aprender o MACS Lift diretamente com seus criadores, Patrick Tonnard e Alexis Verpaele, e venho utilizando seus princípios há mais de duas décadas.
Incorporei técnicas mais profundas à medida que suas indicações se tornaram relevantes.
Desenvolvi o U-Lift para um grupo de pacientes nos quais considero que uma abordagem mais limitada pode ser suficiente.
E associei progressivamente estratégias de restauração volumétrica e tratamento da qualidade cutânea.
Essa trajetória reforçou uma convicção:
quanto maior o número de técnicas que aprendemos, menor deveria ser nossa necessidade de utilizar a mesma técnica em todos.
Naturalidade não é fazer pouco
Existe também uma interpretação equivocada de naturalidade.
Naturalidade não significa necessariamente uma cirurgia pequena.
Um paciente com envelhecimento avançado pode precisar de uma operação extensa para recuperar adequadamente seus contornos.
Da mesma maneira, realizar uma operação extensa em uma alteração pequena não produz automaticamente um resultado melhor.
Naturalidade está relacionada à proporcionalidade.
Fazer o necessário preservando identidade, expressão e características individuais.
Segurança também significa contenção
Segurança não depende apenas da habilidade de realizar determinada manobra.
Também depende da decisão de realizá-la.
Cada plano adicional de dissecção precisa ter uma razão.
Cada estrutura modificada precisa oferecer um benefício esperado.
Cada tecnologia precisa responder a um problema real.
Quanto maior nossa capacidade técnica, maior deveria ser nossa capacidade de dizer:
“isto é necessário”
ou
“isto não é necessário neste paciente.”
A pergunta que orienta tudo
Depois de décadas estudando cirurgia plástica, minha pergunta tornou-se progressivamente mais simples.
Quando um paciente está diante de mim, não começo pensando:
“Qual operação posso fazer?”
Começo pensando:
“O que realmente envelheceu nesta face?”
A estrutura?
O volume?
A pele?
Quais estruturas precisam ser reposicionadas?
Qual volume realmente precisa ser restaurado?
Qual alteração cutânea merece tratamento?
E, igualmente importante:
o que está bem e deve ser preservado?
A partir dessas respostas, construímos o tratamento.
Nem menos. Nem mais.
Talvez toda esta série possa ser resumida em uma única ideia:
a cirurgia deve ser tão extensa quanto necessário — mas não mais extensa do que o necessário.
Isso pode significas um U-Lift.
Pode significar um MACS Lift.
Pode significar trabalhar o SMAS.
Pode exigir um Deep Plane ou uma abordagem profunda do pescoço.
Pode incluir microfat.
Pode envolver nanofat, laser ou radiofrequência.
Ou pode significar não utilizar algumas dessas ferramentas.
Porque o objetivo nunca deveria ser demonstrar quantas técnicas conseguimos associar.
O objetivo é utilizar a menor combinação de intervenções capaz de tratar adequadamente todos os componentes relevantes daquele envelhecimento facial.
Primeiro, diagnóstico.
Depois, estratégia.
Por último, técnica.
Estrutura. Volume. Pele.
Três dimensões diferentes.
Um único objetivo:
rejuvenescer preservando identidade, buscando naturalidade e colocando segurança no centro de cada decisão.
Ronaldo Webster, MD, MSc, PhD
Cirurgião Plástico
Porto Alegre — RS