Nanofat, Laser de CO₂ e Radiofrequência Microagulhada Quando o problema está na qualidade da pele
# Nanofat, laser de CO₂ e radiofrequência microagulhada
## Quando o problema está na qualidade da pele
**Por Ronaldo Webster, MD, MSc, PhD**
Nos artigos anteriores, discutimos dois componentes fundamentais do envelhecimento facial.
Primeiro, a **estrutura**: tecidos que perderam sustentação ou mudaram de posição.
Depois, o **volume**: regiões que sofreram perda ou redistribuição ao longo dos anos.
Existe, entretanto, uma terceira dimensão que não pode ser ignorada:
**a pele.**
Podemos reposicionar perfeitamente os tecidos com um facelift.
Podemos restaurar volumes selecionados com microfat.
Mas nenhuma dessas intervenções, isoladamente, necessariamente corrige todas as alterações de textura, rugosidade, manchas, linhas finas e qualidade da superfície cutânea.
É por isso que considero útil pensar o rejuvenescimento facial em três dimensões:
**estrutura, volume e pele.**
Cada uma exige diagnóstico e estratégias próprias.
## A pele também envelhece
O envelhecimento cutâneo é resultado de múltiplos processos.
O próprio tempo modifica colágeno, elastina e outras características da pele.
A exposição solar acumulada acrescenta alterações de pigmentação, textura e qualidade da superfície.
Tabagismo, fatores ambientais, genética e hábitos individuais também podem participar desse processo.
Por isso, duas pessoas com a mesma flacidez facial podem apresentar peles completamente diferentes.
E isso significa que realizar a mesma cirurgia nas duas não necessariamente produzirá a mesma percepção de rejuvenescimento.
## Um facelift não troca a pele
Essa frase é simples, mas importante.
**O facelift reposiciona tecidos. Ele não cria uma pele nova.**
Depois de um excelente reposicionamento estrutural, manchas, rugas finas, dano solar e irregularidades da superfície podem continuar presentes.
Por isso, em determinados pacientes, faz sentido associar ao planejamento cirúrgico estratégias específicas para qualidade cutânea.
Entre as possibilidades que utilizo estão o **nanofat, o laser de CO₂ fracionado e a radiofrequência microagulhada**.
Mas eles não fazem a mesma coisa.
## O que é nanofat?
Apesar do nome, nanofat não significa simplesmente gordura injetada em partículas extremamente pequenas para produzir volume.
O tecido adiposo passa por processamento mecânico que altera profundamente sua estrutura.
Diferentemente do microfat, sua finalidade principal não é produzir restauração volumétrica.
O interesse pelo nanofat surgiu principalmente pela presença, no tecido processado, de componentes da fração estromal e elementos celulares derivados do tecido adiposo.
Estudos experimentais e clínicos investigam possíveis efeitos relacionados à qualidade cutânea e remodelamento tecidual.
Entretanto, considero importante utilizar a palavra **regeneração** com cautela.
Existe interesse científico real nessa área, mas isso não significa que todos os efeitos atribuídos ao nanofat estejam definitivamente estabelecidos ou que sejam previsíveis em todos os pacientes.
## Microfat e nanofat são ferramentas diferentes
Essa distinção é essencial.
**Microfat → principalmente volume.**
**Nanofat → utilizado com objetivos relacionados à qualidade tecidual, e não como enxerto volumizador convencional.**
Em determinadas situações, podemos utilizar ambos no mesmo planejamento, mas com objetivos diferentes.
Isso mostra novamente por que não devemos simplesmente falar em “enxerto de gordura” como se fosse uma única intervenção.
A maneira como o tecido é preparado modifica aquilo que esperamos dele.
## Laser de CO₂ fracionado
O laser de CO₂ possui uma história longa no tratamento da pele.
Na modalidade fracionada, criamos múltiplas zonas microscópicas de tratamento separadas por áreas de tecido não tratado.
Esse padrão permite produzir uma lesão térmica controlada e desencadear um processo de reparo e remodelamento.
Dependendo dos parâmetros e da indicação, o objetivo pode incluir melhora de textura, linhas finas e determinadas irregularidades cutâneas.
Mas existe um conceito fundamental:
**laser é dose.**
Potência, energia, densidade, profundidade, número de passadas, região anatômica e características da pele modificam completamente o tratamento.
Por isso, “fazer laser de CO₂” não descreve adequadamente o procedimento.
É necessário saber **como, onde e com qual intensidade** ele será utilizado.
## Radiofrequência microagulhada
A radiofrequência microagulhada utiliza agulhas para entregar energia em profundidades selecionadas da pele e tecidos superficiais.
Isso permite produzir pontos de aquecimento controlado abaixo da superfície.
O objetivo é estimular processos de remodelamento tecidual preservando, em graus variáveis, a superfície cutânea.
Profundidade, energia e região tratada novamente são fundamentais.
A pele da pálpebra não deve ser encarada da mesma maneira que a pele da bochecha ou do pescoço.
**Tecnologia sem conhecimento anatômico continua sendo apenas tecnologia.**
## Laser e radiofrequência não são equivalentes
Embora ambos possam ser utilizados para melhorar determinadas características da pele, seus mecanismos e formas de entrega de energia são diferentes.
O CO₂ fracionado possui uma ação importante sobre a superfície e sobre colunas microscópicas de tecido tratado.
A radiofrequência microagulhada permite depositar energia em profundidades selecionadas através das agulhas.
Dependendo do problema, podemos preferir uma estratégia, outra ou eventualmente combiná-las em um planejamento sequencial.
Não existe necessidade de utilizar todas as tecnologias em todos os pacientes.
## Mais energia não significa melhor resultado
Existe aqui um paralelo interessante com aquilo que discutimos sobre cirurgia.
Assim como uma operação mais extensa não é automaticamente melhor, **um tratamento mais agressivo da pele também não é automaticamente melhor**.
Aumentar energia, densidade ou profundidade pode aumentar o efeito biológico.
Mas também pode aumentar inflamação, tempo de recuperação e risco de complicações.
O objetivo é encontrar a dose suficiente para produzir o efeito desejado respeitando região anatômica, fototipo, qualidade cutânea e capacidade de recuperação.
Novamente:
**nem menos. Nem mais.**
## Podemos associar esses tratamentos ao facelift?
Em pacientes selecionados, diferentes estratégias podem fazer parte do mesmo plano global de rejuvenescimento.
Mas associação não significa necessariamente realizar tudo no mesmo momento.
Cirurgia, enxertia de gordura, laser e radiofrequência produzem diferentes tipos de trauma e resposta tecidual.
A decisão de combinar procedimentos simultaneamente ou distribuí-los em etapas deve considerar segurança, vascularização dos tecidos, intensidade dos tratamentos e características individuais.
Às vezes, a melhor combinação é simultânea.
Em outras situações, a melhor combinação é **sequencial**.
Planejamento também significa saber esperar.
## O risco de tratar uma face como uma lista de procedimentos
Hoje temos uma quantidade extraordinária de tecnologias disponíveis.
Facelift.
Microfat.
Nanofat.
Laser.
Radiofrequência.
Injetáveis.
Isso pode criar a impressão de que um rejuvenescimento completo exige utilizar todas essas ferramentas.
Eu penso justamente o contrário.
Quanto maior nosso arsenal, mais importante se torna selecionar.
A existência de cinco tratamentos disponíveis não significa que o paciente precise dos cinco.
## Estrutura, volume e pele
Essa é a maneira como procuro organizar o raciocínio.
**ESTRUTURA**
Os tecidos estão adequadamente posicionados?
Se não estiverem, podemos considerar técnicas como SMAS, MACS Lift, U-Lift, Deep Plane ou tratamentos específicos do pescoço.
**VOLUME**
Existe perda volumétrica verdadeira?
Quando existe, o microfat pode ser uma das opções.
**PELE**
Existem alterações de textura, qualidade, pigmentação ou linhas finas que necessitam tratamento específico?
Aqui entram, conforme a indicação, estratégias como nanofat, laser e radiofrequência microagulhada.
Não precisamos tratar as três dimensões em todos os pacientes.
Precisamos descobrir **qual delas está alterada**.
## Minha maneira de pensar a qualidade da pele
Não considero tecnologia um substituto para cirurgia quando existe flacidez estrutural importante.
Da mesma maneira, não considero cirurgia um substituto para tratamentos específicos da pele quando o problema está na superfície.
Cada ferramenta possui seu território.
E talvez o maior avanço do rejuvenescimento facial contemporâneo seja justamente compreender que envelhecimento não é um único processo.
É uma combinação variável de alterações estruturais, volumétricas e cutâneas.
Por isso, em vez de perguntar:
**“Qual é o melhor tratamento para rejuvenescimento facial?”**
Prefiro perguntar:
**“O que envelheceu nesta face?”**
A estrutura?
O volume?
A pele?
Ou uma combinação dos três?
Quando respondemos corretamente essa pergunta, deixamos de tratar o envelhecimento como um diagnóstico único.
E começamos a tratar **cada componente da face de acordo com aquilo que realmente necessita.**
**Ronaldo Webster, MD, MSc, PhD**
Cirurgião Plástico
Porto Alegre — RS
