Microfat Grafting Reposicionar nem sempre é suficiente: precisamos pensar em volume

# Microfat Grafting

## Reposicionar nem sempre é suficiente: precisamos pensar em volume

**Por Ronaldo Webster, MD, MSc, PhD**

Durante muitos anos, o envelhecimento facial foi interpretado principalmente como um problema de flacidez.

A pele caía.

Os tecidos desciam.

E a solução parecia relativamente lógica: elevar aquilo que havia descido.

Hoje sabemos que essa interpretação é incompleta.

A face também envelhece através de alterações de volume.

Compartimentos de gordura se modificam, determinadas regiões perdem projeção e estruturas profundas também sofrem transformações ao longo do tempo.

Isso significa que podemos realizar um excelente reposicionamento dos tecidos e ainda assim perceber que algo está faltando.

**Às vezes, não precisamos apenas reposicionar. Precisamos restaurar volume.**

É nesse contexto que o **microfat grafting**, ou enxertia de microgordura, passou a ocupar um papel importante no rejuvenescimento facial.

## Envelhecimento não significa apenas queda

Compare uma face jovem com uma face envelhecida.

A diferença não está simplesmente na posição da pele.

Com o tempo, podem ocorrer alterações de volume na região temporal, ao redor dos olhos, nas maçãs do rosto e em outras áreas.

Além disso, diferentes compartimentos faciais não envelhecem necessariamente da mesma maneira.

Alguns perdem volume.

Outros podem se tornar relativamente mais evidentes.

Por isso, o rejuvenescimento contemporâneo precisa pensar em **posição, proporção e volume**.

## O que é microfat?

Microfat é gordura autóloga — ou seja, retirada do próprio paciente — preparada para permitir sua utilização em pequenos volumes e sua distribuição em diferentes planos da face.

A gordura é obtida através de lipoaspiração de uma área doadora apropriada e preparada antes da enxertia.

Depois, pequenas quantidades podem ser distribuídas cuidadosamente nas regiões selecionadas.

Existe um princípio fundamental:

**não queremos simplesmente preencher a face.**

Queremos restaurar volume onde existe indicação anatômica para fazê-lo.

## Gordura não é simplesmente um “preenchedor”

Essa distinção é importante.

O enxerto de gordura possui características próprias.

Uma parcela das células adiposas transferidas pode sobreviver e integrar-se ao tecido receptor.

Outra parcela será reabsorvida.

Por isso, o resultado depende de múltiplos fatores, incluindo técnica de coleta, processamento, local de enxertia, vascularização e características individuais do paciente.

Isso também significa que a gordura não deve ser tratada como um material cujo comportamento possa ser previsto com absoluta precisão.

**É um enxerto biológico.**

## Pequenas quantidades podem produzir mudanças importantes

Na face, frequentemente trabalhamos com volumes relativamente pequenos.

O objetivo não deveria ser transformar um rosto através de grande quantidade de gordura.

Uma pequena restauração na região temporal, malar ou em áreas selecionadas pode modificar relações de luz, sombra e continuidade dos contornos.

Por isso, talvez a palavra mais importante seja:

**distribuição.**

Não se trata apenas de quanto enxertamos.

Importa onde, em qual plano e com qual objetivo.

## Microfat e facelift não são concorrentes

Esse é um ponto que considero essencial.

O facelift trata principalmente **posição e sustentação dos tecidos**.

O microfat trata principalmente **volume**.

São problemas diferentes.

Quando existe flacidez estrutural significativa, adicionar volume não substitui o reposicionamento.

Da mesma forma, reposicionar perfeitamente uma face que apresenta perda volumétrica importante pode não corrigir todos os sinais de envelhecimento.

Por isso, em determinados pacientes, as duas estratégias podem ser complementares.

**Reposicionar aquilo que desceu e restaurar aquilo que foi perdido.**

## Volume demais também envelhece

Existe um paradoxo interessante.

Quando percebemos que o envelhecimento envolve perda volumétrica, pode surgir a tentação de simplesmente acrescentar mais volume.

Mas excesso de volume pode produzir uma face pesada, modificar proporções e alterar características individuais.

Nem toda depressão precisa ser preenchida.

Nem todo sulco deve desaparecer.

E nem toda região que envelheceu perdeu gordura.

Por isso, novamente, o diagnóstico vem antes da técnica.

**Restaurar não significa aumentar indiscriminadamente.**

## Gordura autóloga e substâncias exógenas

Existem diferentes maneiras de restaurar volume facial.

Preenchedores e outros produtos injetáveis possuem indicações próprias e podem ser úteis em diferentes situações.

A gordura autóloga oferece uma característica particular: utilizamos tecido do próprio paciente.

Isso não significa que seja automaticamente superior ou indicada para todos.

Ela exige área doadora, envolve procedimento cirúrgico e apresenta variabilidade de integração e reabsorção.

A escolha deve considerar objetivos, anatomia, histórico de tratamentos e planejamento futuro.

## E onde entra o nanofat?

Microfat e nanofat não são a mesma coisa.

O **microfat** é utilizado principalmente quando queremos restaurar volume através da transferência de tecido adiposo.

O chamado **nanofat** passa por processamento adicional, reduzindo significativamente a presença de adipócitos viáveis e modificando sua finalidade clínica.

Por isso, não considero adequado colocar microfat e nanofat simplesmente como versões de tamanhos diferentes da mesma técnica.

Eles possuem objetivos diferentes.

No próximo artigo, vamos discutir especificamente o nanofat e sua possível associação com estratégias voltadas à qualidade da pele.

## Estrutura, volume e pele

Aqui começa a aparecer uma maneira mais completa de interpretar o envelhecimento facial.

Podemos dividir nosso raciocínio em três grandes componentes:

**ESTRUTURA**
Onde estão os tecidos e como estão sustentados?

**VOLUME**
Onde houve perda ou redistribuição volumétrica?

**PELE**
Como estão textura, pigmentação, elasticidade e qualidade da superfície?

Nenhuma técnica isolada responde necessariamente às três perguntas.

Um facelift pode reposicionar.

O microfat pode restaurar volume.

Laser e outras tecnologias podem atuar sobre determinadas características da pele.

A combinação somente faz sentido quando cada problema está realmente presente.

## Minha maneira de pensar o microfat

Quando avalio uma face, procuro não perguntar simplesmente:

**“Onde podemos colocar gordura?”**

Prefiro perguntar:

**“Onde o envelhecimento produziu uma perda de volume que realmente merece ser restaurada?”**

Essa diferença muda completamente o planejamento.

O objetivo não é produzir uma face preenchida.

É recuperar determinadas relações anatômicas sem apagar características individuais.

E isso nos leva novamente ao mesmo princípio que vem orientando esta série:

**não fazer tudo aquilo que podemos fazer.**

Fazer aquilo que a anatomia demonstra ser necessário.

Às vezes precisamos reposicionar.

Às vezes precisamos restaurar.

Às vezes precisamos fazer ambos.

Porque rejuvenescimento facial não significa simplesmente levantar uma face ou acrescentar volume.

Significa compreender **o que mudou — e tratar cada mudança de maneira específica.**

**Ronaldo Webster, MD, MSc, PhD**
Cirurgião Plástico
Porto Alegre — RS