MACS Lift Suspensão vertical com acesso limitado
# MACS Lift
## Suspensão vertical com acesso limitado
**Por Ronaldo Webster, MD, MSc, PhD**
Quando pensamos em facelift, é comum imaginar que uma maior mobilização dos tecidos exige necessariamente incisões e dissecções progressivamente maiores.
A evolução da cirurgia facial mostrou que essa relação não é tão simples.
Uma das técnicas que ajudaram a modificar esse pensamento foi o **MACS Lift — Minimal Access Cranial Suspension Lift**, desenvolvido na Bélgica por Patrick Tonnard e Alexis Verpaele.
Para mim, essa técnica tem também uma importância particular na minha formação.
Há mais de duas décadas, fui à **Bélgica estudar o MACS Lift diretamente com os criadores da técnica**, buscando compreender não apenas como realizar a operação, mas os princípios que haviam levado ao seu desenvolvimento.
Desde então, o MACS Lift passou a fazer parte do meu repertório de cirurgia facial, e venho utilizando seus conceitos e indicações ao longo de **mais de 20 anos de prática**.
Essa experiência prolongada também trouxe uma percepção importante: conhecer profundamente uma técnica significa compreender não apenas **como realizá-la**, mas principalmente **quando utilizá-la e quais são seus limites**.
## O que significa MACS Lift?
MACS é a abreviação de **Minimal Access Cranial Suspension**.
O próprio nome resume parte de sua filosofia.
**Minimal Access** refere-se a um acesso cirúrgico mais limitado quando comparado a determinados facelifts tradicionais extensos.
**Cranial Suspension** refere-se à suspensão dos tecidos em direção superior, utilizando estruturas firmes da região temporal como pontos de sustentação.
O objetivo não é simplesmente retirar ou tracionar pele.
A ideia central é reposicionar estruturas mais profundas e, posteriormente, acomodar a pele sobre essa nova posição.
## A importância do vetor vertical
Uma das contribuições mais interessantes do MACS Lift foi chamar atenção para os **vetores de suspensão**.
Muitos tecidos faciais apresentam deslocamento inferior ao longo do envelhecimento.
A utilização de vetores predominantemente verticais procura reposicionar esses tecidos em direção superior.
Naturalmente, a face é tridimensional e o envelhecimento não ocorre seguindo uma única linha.
Por isso, nenhum vetor deve ser aplicado de maneira automática.
Mas o princípio da suspensão vertical trouxe uma contribuição importante para o pensamento contemporâneo sobre facelift.
## Como os tecidos são sustentados?
Uma das características do MACS Lift é a utilização de suturas profundas de suspensão.
Essas suturas podem ser configuradas em alças e posicionadas de maneira planejada para elevar diferentes regiões da face.
Elas atuam sobre estruturas profundas, permitindo que a sustentação não dependa exclusivamente da pele.
Depois do reposicionamento estrutural, a pele é acomodada.
É um conceito que considero fundamental:
**a pele deve revestir o resultado — e não ser a principal responsável por sustentá-lo.**
## O que aprendi acompanhando a evolução da técnica
Mais de duas décadas trabalhando com um procedimento permitem observar algo que dificilmente aparece apenas na descrição técnica de uma operação.
Com o tempo, aprendemos não somente aquilo que uma técnica consegue fazer.
Aprendemos também **aquilo que ela não consegue fazer**.
Quando comecei a estudar o MACS Lift na Bélgica, seu conceito de acesso limitado associado à suspensão estrutural representava uma maneira particularmente interessante de pensar o rejuvenescimento facial.
Com os anos, novas técnicas e novas abordagens foram incorporadas à cirurgia facial.
Minha maneira de utilizar o MACS Lift também amadureceu junto com essa evolução.
Hoje, considero particularmente importante reconhecer o paciente no qual uma suspensão limitada pode ser suficiente — e aquele no qual precisamos de maior mobilização ou de uma abordagem diferente.
**Experiência com uma técnica não deveria aumentar o número de pacientes nos quais a utilizamos.
Deveria melhorar nossa capacidade de selecionar aqueles que realmente se beneficiam dela.**
## Menor acesso não significa ausência de estrutura
Existe uma tendência de dividir facelifts entre “cirurgias pequenas” e “cirurgias profundas”.
Na realidade, existe um grande espectro entre esses extremos.
Uma abordagem pode ter acesso relativamente limitado e ainda assim trabalhar estruturalmente os tecidos.
O MACS Lift é um excelente exemplo desse conceito.
Isso também ajuda a compreender por que técnicas diferentes não precisam competir.
Elas podem simplesmente ocupar espaços diferentes dentro do espectro do envelhecimento facial.
## Para quem o MACS Lift pode ser considerado?
A seleção depende da anatomia, da intensidade da flacidez, da qualidade dos tecidos e das regiões que necessitam de correção.
Em determinados pacientes, estratégias de suspensão com acesso limitado podem proporcionar a mobilização necessária.
Em outros, entretanto, alterações mais avançadas, excesso cutâneo importante ou componentes profundos podem exigir abordagens diferentes.
Esse é um aprendizado particularmente importante depois de acompanhar pacientes tratados ao longo de muitos anos:
**uma cirurgia limitada somente é uma vantagem quando consegue realizar adequadamente aquilo que aquele paciente necessita.**
## MACS Lift e U-Lift
Existem pontos conceituais interessantes de aproximação entre o MACS Lift e o U-Lift.
Ambos questionam a ideia de que toda correção estrutural exija necessariamente uma grande área de dissecção.
Ambos valorizam a suspensão dos planos profundos.
E ambos dependem fortemente da seleção adequada do paciente.
Entretanto, são operações diferentes, com desenhos de acesso, formas de suspensão e indicações próprias.
Minha experiência prévia com técnicas de acesso limitado e suspensão estrutural também fez parte do caminho que, posteriormente, contribuiu para meu pensamento sobre outras estratégias de cirurgia facial, incluindo o desenvolvimento do **U-Lift**.
## MACS Lift e Deep Plane
Também não considero produtivo transformar MACS Lift e Deep Plane em técnicas adversárias.
O Deep Plane permite mobilização e liberação de estruturas em planos mais profundos e pode ser particularmente útil quando essa mobilidade é necessária.
O MACS Lift utiliza outra estratégia.
Depois de mais de duas décadas trabalhando com técnicas de suspensão, minha pergunta não é:
**“Qual técnica é melhor?”**
É:
**“Qual grau de mobilização este paciente necessita?”**
## Vetores fazem parte do diagnóstico
Uma observação cuidadosa da face mostra que diferentes regiões podem necessitar de diferentes direções de reposicionamento.
A linha mandibular pode exigir uma estratégia.
O terço médio, outra.
O pescoço pode apresentar componentes completamente diferentes.
Por isso, escolher um vetor não é apenas uma decisão tomada durante a operação.
É parte do diagnóstico e do planejamento.
**Precisamos compreender para onde aquele tecido deveria retornar antes de decidir como vamos levá-lo até lá.**
## Uma técnica dentro de uma história maior
A cirurgia facial mudou muito durante os mais de vinte anos em que venho utilizando os conceitos do MACS Lift.
Novos planos de dissecção ganharam espaço.
O Deep Plane tornou-se mais difundido.
O tratamento profundo do pescoço evoluiu.
A restauração volumétrica ganhou importância.
Tecnologias para qualidade da pele passaram a integrar o planejamento.
Por isso, não considero o MACS Lift uma resposta isolada ao envelhecimento facial.
Ele é uma das ferramentas dentro de um conjunto progressivamente maior de possibilidades.
E talvez justamente a experiência acumulada com diferentes gerações de técnicas tenha reforçado uma convicção:
**não devemos ser cirurgiões de uma única técnica.**
Devemos compreender diferentes técnicas suficientemente bem para reconhecer qual delas corresponde à anatomia que temos diante de nós.
## Minha maneira de pensar
Ter ido à Bélgica estudar o MACS Lift diretamente com seus criadores e utilizá-lo durante mais de duas décadas faz dessa técnica uma parte importante da minha formação em cirurgia facial.
Mas talvez o maior aprendizado desses anos não tenha sido uma determinada sutura ou um determinado vetor.
Foi compreender que **dominar uma técnica também significa conhecer seus limites**.
Hoje temos U-Lift, diferentes tratamentos do SMAS, MACS Lift, Deep Plane, Deep Neck e várias possibilidades de associação.
Minha pergunta permanece:
**quanto precisamos mobilizar?**
**em qual plano?**
**e em qual direção?**
Quando respondemos essas perguntas, a escolha da técnica passa a ser consequência do diagnóstico.
Porque experiência em cirurgia facial não significa repetir durante décadas a mesma operação.
Significa utilizar aquilo que aprendemos ao longo dessas décadas para **individualizar cada vez mais a próxima.**
**Ronaldo Webster, MD, MSc, PhD**
Cirurgião Plástico
Porto Alegre — RS
