Facelift avançado: por que a pele não deve carregar todo o resultado?

Facelift avançado: por que a pele não deve carregar todo o resultado?
O envelhecimento facial não acontece apenas na superfície. A pele muda, mas também podem ocorrer perda de volume e deslocamento dos tecidos que dão forma às bochechas, à linha da mandíbula e ao pescoço. Por isso, planejar um lifting facial exige identificar quais estruturas precisam de tratamento em cada pessoa.
O que existe sob a pele?
Abaixo da pele estão o tecido subcutâneo e o SMAS, uma camada fibromuscular ligada à sustentação dos tecidos superficiais. Os ligamentos de retenção conectam essas estruturas a planos mais profundos. Essa organização ajuda a explicar por que simplesmente tracionar a pele nem sempre trata a causa da flacidez observada.
Figura 1. Representação simplificada das camadas faciais. As proporções e a posição do nervo são esquemáticas; a imagem não representa um plano operatório. Baixar a figura em SVG.
O que é o deep plane facelift?
Existem diferentes maneiras de tratar o SMAS. No deep plane facelift, o cirurgião trabalha abaixo dessa camada em regiões selecionadas e pode liberar pontos de retenção para reposicionar os tecidos da face. A técnica descrita originalmente por Sam Hamra procurava melhorar, entre outros aspectos, a mobilização dos tecidos próximos ao sulco entre o nariz e a boca.
Isso não significa que o deep plane seja a melhor escolha para todos. Dependendo da anatomia e da queixa, outra técnica de tratamento do SMAS, uma abordagem mais limitada, o cuidado com o pescoço ou a correção de perda de volume podem fazer mais sentido.
Indicação, limites e segurança
A decisão começa com uma avaliação individual: posição dos tecidos, qualidade da pele, contorno cervical, histórico de procedimentos e expectativas. A pele é acomodada após o tratamento das estruturas indicadas, respeitando a expressão e as características do rosto.
Nenhuma técnica interrompe o envelhecimento ou garante simetria perfeita. Hematoma, alterações de sensibilidade, dificuldades de cicatrização, sofrimento da pele e lesão nervosa estão entre os riscos que devem ser discutidos antes da cirurgia. Estudos sobre lesão nervosa após facelift mostram que o risco existe, mas suas estimativas gerais não permitem prever o resultado de uma pessoa específica.
O melhor plano é aquele que trata o problema identificado com a extensão necessária, critérios de segurança e objetivos realistas. Uma consulta permite discutir quais camadas precisam de atenção e o que se pode esperar no seu caso.
Ronaldo Webster — Cirurgia Plástica Facial, Porto Alegre
Referências: Hamra, 1990 · Surek e Moorefield, 2022 · Gandra e colaboradores, 2025.
