Deep Plane Facelift O que é e quando está indicado?
# Deep Plane Facelift
## O que é e quando está indicado?
**Por Ronaldo Webster, MD, MSc, PhD**
Nos últimos anos, o **Deep Plane Facelift** ganhou enorme visibilidade na cirurgia facial e também nas redes sociais.
A técnica é frequentemente apresentada como uma evolução do facelift tradicional e, algumas vezes, quase como sinônimo de uma cirurgia facial moderna.
Mas existe uma pergunta mais importante do que saber qual técnica é mais nova ou mais sofisticada:
**este paciente realmente precisa de um Deep Plane Facelift?**
Essa pergunta resume um princípio que considero fundamental na cirurgia facial: **a técnica deve ser consequência do diagnóstico, e não o ponto de partida da cirurgia.**
## O que significa “Deep Plane”?
O envelhecimento facial não ocorre apenas na pele.
Com o passar dos anos, acontecem mudanças na distribuição da gordura, nos ligamentos de sustentação, no sistema músculo-aponeurótico superficial — o SMAS — e em outras estruturas responsáveis pelos contornos da face.
O Deep Plane Facelift trabalha em um plano anatômico mais profundo do que algumas técnicas tradicionais de lifting.
Em determinadas regiões, a dissecção permite mobilizar pele e tecidos profundos como uma unidade e liberar pontos de fixação que podem limitar seu reposicionamento.
Isso pode proporcionar uma mobilização eficiente dos tecidos da face média e inferior em pacientes adequadamente selecionados.
## Por que o Deep Plane pode ser interessante?
Uma das características importantes dessa abordagem é permitir que o cirurgião trabalhe diretamente sobre estruturas responsáveis pela posição dos tecidos faciais.
Em vez de depender exclusivamente da tração da pele, procuramos reposicionar estruturas mais profundas.
Quando corretamente indicado, isso pode contribuir para restaurar contornos e melhorar determinadas alterações do envelhecimento facial sem depender de tensão excessiva sobre a pele.
Mas isso não significa que todos os pacientes necessitem da mesma profundidade de dissecção.
## Deep Plane não é uma única cirurgia
Um aspecto pouco percebido fora da cirurgia plástica é que o termo **Deep Plane Facelift** pode englobar variações técnicas.
A extensão da dissecção, os ligamentos liberados, a forma de tratamento do SMAS e a associação ou não com procedimentos do pescoço podem variar conforme a anatomia do paciente e a preferência técnica do cirurgião.
Por isso, simplesmente dizer que alguém realiza um “Deep Plane” não descreve completamente a operação.
**O nome da técnica é menos importante do que compreender exatamente o que será tratado e por quê.**
## Quando considero uma abordagem profunda?
Pacientes com alterações significativas do terço médio e inferior da face podem se beneficiar de técnicas capazes de mobilizar estruturas profundas.
A perda da definição mandibular, o deslocamento dos tecidos da face e determinadas alterações dos compartimentos faciais podem fazer parte dessa indicação.
Entretanto, dois pacientes da mesma idade podem apresentar anatomias completamente diferentes.
A idade, isoladamente, não determina a técnica.
O exame físico e a compreensão das estruturas responsáveis pelo envelhecimento daquela face são muito mais importantes.
## E quando não precisamos ir tão profundo?
Esse ponto é igualmente importante.
Pacientes com flacidez discreta ou alterações mais limitadas podem não necessitar de uma dissecção extensa.
Nessas situações, outras estratégias podem ser consideradas, incluindo abordagens do SMAS, técnicas de cicatriz reduzida e, em casos selecionados, procedimentos como o **U-Lift**.
Isso não significa realizar uma cirurgia inferior.
Significa escolher uma operação proporcional ao problema que estamos tentando resolver.
**Fazer mais não significa necessariamente obter mais.**
## Quanto mais profundo, maior a responsabilidade
A anatomia facial é extraordinariamente complexa.
Nervos, vasos, músculos, glândulas, ligamentos e diferentes planos fasciais coexistem em uma região relativamente pequena.
À medida que trabalhamos em planos mais profundos, o conhecimento anatômico e o domínio técnico tornam-se ainda mais importantes.
Toda cirurgia possui riscos.
Hematoma, alterações de cicatrização, sofrimento da pele, assimetrias, alterações sensitivas e lesões de estruturas anatômicas estão entre as complicações que precisam ser consideradas e discutidas conforme o procedimento planejado.
Por isso, a extensão de uma dissecção deve sempre possuir uma justificativa anatômica.
## Deep Plane e Deep Neck não são a mesma coisa
Existe também uma confusão frequente entre esses conceitos.
O **Deep Plane Facelift** refere-se principalmente ao plano utilizado para mobilização dos tecidos faciais.
Já o chamado **Deep Neck** envolve o tratamento de estruturas profundas do pescoço em pacientes selecionados.
As duas abordagens podem ser associadas, mas uma não implica automaticamente a necessidade da outra.
Um paciente pode necessitar de tratamento profundo da face sem precisar de todas as intervenções possíveis no pescoço.
Novamente, **a anatomia deve determinar a extensão da operação.**
## A técnica não deve se transformar em moda
A cirurgia plástica evolui justamente porque novas técnicas são desenvolvidas, estudadas e aperfeiçoadas.
O Deep Plane representa uma ferramenta importante dentro da cirurgia facial contemporânea.
O problema começa quando uma técnica deixa de ser uma possibilidade e passa a ser apresentada como solução universal.
Redes sociais favorecem procedimentos que possuem nomes fortes, imagens impressionantes e explicações simples.
Mas cirurgia não é simples.
E medicina não deveria ser orientada pelo algoritmo de uma rede social.
## Minha maneira de pensar o Deep Plane
Eu utilizo diferentes níveis de tratamento de acordo com aquilo que encontro em cada paciente.
Em alguns casos, uma abordagem profunda pode oferecer vantagens importantes.
Em outros, podemos alcançar nossos objetivos utilizando uma cirurgia menos extensa.
Por isso, minha pergunta inicial não é:
**“Este paciente quer um Deep Plane?”**
A pergunta é:
**“Quais estruturas estão produzindo as alterações que desejo corrigir?”**
Depois de responder a essa pergunta, podemos decidir qual técnica oferece a melhor relação entre capacidade de correção, naturalidade e segurança.
## O princípio continua sendo o mesmo
O Deep Plane Facelift é uma técnica importante e sofisticada.
Mas nenhuma técnica deve substituir o raciocínio clínico.
**Primeiro diagnosticamos.
Depois determinamos a profundidade necessária.
E somente então escolhemos a técnica.**
Porque uma cirurgia facial moderna não deveria ser definida pela quantidade de estruturas que conseguimos abordar.
Deveria ser definida pela capacidade de reconhecer **quais estruturas realmente precisam ser abordadas naquele paciente**.
A cirurgia deve ser tão extensa quanto necessário.
**Mas não mais extensa do que o necessário.**
**Ronaldo Webster, MD, MSc, PhD**
Cirurgião Plástico
Porto Alegre — RS
